PDT oficializa candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República

Ciro é o primeiro pré-candidato ao Palácio do Planalto a ter a candidatura oficializada pelo partido. Ele disputará as eleições presidenciais pela quarta vez. Nas outras três (1998, 2002 e 2018), não conseguiu chegar ao segundo turno.

Apesar da confirmação da candidatura, o ex-ministro ainda não anunciou quem será seu candidato a vice-presidente. Em seu discurso, Ciro afirmou querer uma mulher na vaga.

“Adianto que, no depender de mim, será uma mulher, porque sempre respeitei as mulheres e as tive sempre como companheiras inseparáveis na minha luta”, afirmou o ex-ministro. (…) Nos últimos dias, se intensificaram nossos diálogos com forças democráticas insatisfeitas com a polarização que ameaça o país. O ritmo deve se acelerar nas próximas duas semanas”, disse Ciro.

O ex-ministro afirmou que há conversas com União Brasil e PSD para compor a chapa. Ele ainda chamou o presidente do União Brasil, Luciano Bivar, de “amigo”. Na terça-feira (19), o presidente do PDT, Carlos Lupi, disse que tentará “até a última hora” formar uma aliança para ter um vice de fora do partido. Lupi também fez acenos aos partidos citados por Ciro e pediu uma união em torno da candidatura do seu partido.

Caso um acordo não seja fechado até o dia 5 de agosto – data limite das convenções partidárias – o PDT avalia ter uma chapa puro-sangue, como aconteceu em 2018 com Ciro e a senadora Kátia Abreu, então no partido. Algumas das cotadas à candidatura a vice-presidente são a senadora Leila Barros (DF) e a ex-reitora da Universidade de São Paulo (USP) Suely Vieira.

Leila Barros é pré-candidata ao governo do Distrito Federal e foi uma das mais aplaudidas no evento. Ela chegou a ser sondada para ser vice do ex-ministro. No entanto, segundo interlocutores, Barros pretende focar na campanha ao Palácio do Buriti.

Ciro entrou no palco acompanhado da sua esposa, Giselle Bezerra, e começou a discursar por volta das 17h05. Ele saudou os candidatos estaduais do PDT e falou sobre a própria trajetória pessoal e política. Ao longo do discurso, porém, um dos principais alvos foi a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O Brasil vive a pior crise da sua história e dois dos principais responsáveis por ela estimulam uma polarização vulgar, personalista e odienta, um alimentando o outro, um agredindo moralmente o outro, reduzindo tudo a uma trágica e ridícula disputa pessoal”, afirmou o ex-ministro. “Reduzir o debate a um embate pessoal é aumentar o clima de violência que divide o país”, complementou.

A intenção do pedetista é se apresentar como uma terceira via para romper a polarização entre os dois líderes da corrida ao Planalto, Bolsonaro e Lula. Ciro tem aparecido em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, mas sem se firmar na casa de dois dígitos, considerada a margem de erro

“[A polarização atual] não produz diagnósticos e soluções, apenas xingamentos morais e ideológicos”, disse durante o discurso. Ele apontou que Lula e Bolsonaro querem transformar a eleição presidencial “na mais vazia de debates e de confronto de ideias de todos os tempos”.

Ao ser questionado, em entrevista coletiva após a convenção do PDT, sobre quem apoiará num eventual segundo turno entre o atual presidente e o petista, Ciro disse acreditar que estará no segundo turno.

Para tentar furar a polarização, a campanha do pedetista deve passar a utilizar o lema “Prefiro Ciro” na tentativa de deslanchar a candidatura e evitar o chamado voto útil em Lula por parte dos eleitores que rejeitam Bolsonaro. Há alguns meses, a campanha chegou a apresentar o slogan “Rebeldia da Esperança”.

Fonte: CNN Brasil