Disputa política precoce vira caso de polícia em Mari; entenda

Acássio Barra (chefe de Gabinete da prefeita) e Antônio Gomes (ex-prefeito de Mari)

A precoce disputa política na cidade de Mari-PB está tomando um caminho perigoso que não interessa aos marineses e já virou caso de polícia. A semana foi marcada por uma guerra de versões envolvendo o ex-prefeito Antônio Gomes e o atual chefe de Gabinete da prefeita Lucinha Saúde, Acássio Barra.

O estopim teria sido um encontro casual de Antônio e Acássio numa lanchonete da cidade, na noite de quarta-feira (24), quando o clima teria esquentado, onde teria havido troca de farpas entre ambos. Antônio fez uma transmissão na internet (live) criticando a gestão naquela noite.

Em razão do suposto ocorrido na lanchonete, no dia seguinte, Acássio procurou a delegacia de Polícia Civil, fez um Boletim de Ocorrência apresentando sua versão e depois publicou em rede social uma nota em que se diz ameaçado e creditando ao ex-prefeito qualquer ação contra si ou sua família.

Também na narrativa de Acássio prestada à autoridade policial, no dia 12 de setembro, um carro passou na frente de sua residência por volta de 1h da madrugada, quando a prefeita Lucinha estava no portão da casa, e teria havido um disparo de arma de fogo. Um vídeo foi divulgado em que imagens mostram o veículo passando em alta velocidade e na sequência se escuta um estampido assemelhado a tiro.

Nesta sexta-feira (26), o ex-prefeito Antônio Gomes divulgou uma nota nas redes sociais rechaçando qualquer conduta agressiva ou ameaça contra o chefe de Gabinete da prefeita. Na nota, confirma que estava na lanchonete quando Acássio chegou em companhia de outras pessoas e que um filho de um empresário teria chamado o motorista de Antônio Gomes, Marcelo Joaquim e Acássio para uma conversa para tentar dirimir uma rede de fofoca envolvendo o nome do rapaz e uma influenciadora digital.

No texto divulgado nas redes, Antônio nega que tenha conversado com Acássio, que não participou do diálogo entre Acássio, Marcelo e o jovem, e repudiou com veemência as acusações de ameaça, apontando sua reconhecida conduta de pacificador.

BOLETIM DE OCORRÊNCIA PRESTADO POR ACÁSSIO
NOTA DE ACÁSSIO NAS REDES SOCIAIS
NOTA DE ANTÔNIO GOMES (PRIMEIRA PARTE)
NOTA DE ANTÔNIO GOMES (SEGUNDA PARTE)

Nota da Redação

Faltando mais de três anos para as eleições municipais, não é razoável que adversários políticos já estejam em pé de guerra. Os adversários de hoje podem ser os aliados de amanhã. Antônio governou a cidade por três mandatos, sendo dois seguidos, e Lucinha está nos primeiros nove meses de gestão. O vencedor deve cumprir o papel de governar a cidade, afinal, foi a vontade soberana das urnas que deu a Lucinha o direito de administrar Mari.

É bom lembrar que Lucinha era vice de Antônio Gomes e foi indicada por ele para sucedê-lo, sendo o responsável direto pela eleição dela. Se Lucinha está ruim, hoje, mas ontem era a melhor do mundo. Daqui a algum tempo pode recuperar a confiança do grupo, e voltar a ser a melhor do Brasil, no dizer dos aliados, é assim que funciona a política. A autocrítica é saudável para todo mundo, inclusive, para governantes e governados.

A esfera política não pode se transformar numa arena, numa rinha, onde a força leva o combate. No mundo civilizado, na democracia que vivemos, os vencedores governam e os perdedores são governados. Está mais que hora de alguém de bom senso jogar água na fervura, acalmar os ânimos e deixar o tempo seguir o seu curso. Maria, José, Antônio, João, Pedro Felipe, Josefa não estão interessados nessa briga fratricida.