
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (16), durante a Cúpula do G7 em Évian, na França, um maior comprometimento das economias mais desenvolvidas com o combate à pobreza e à desigualdade no planeta. Convidado para o encontro, o chefe de Estado brasileiro afirmou que a distância entre países ricos e pobres continua aumentando e cobrou mais solidariedade internacional. Lula também alertou que a redução dos recursos destinados ao desenvolvimento global e a priorização de gastos militares agravam a situação das populações mais vulneráveis.
Lula alerta para aumento das desigualdades
Ao discursar diante dos líderes das maiores economias do mundo, Lula destacou que a prosperidade observada nos países desenvolvidos contrasta com a realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global.
“Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe. A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo. Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado. Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”, afirmou.
O presidente também chamou atenção para a redução dos investimentos internacionais voltados ao desenvolvimento e para os impactos sociais provocados por essa retração.
“No ano passado, registramos queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento. O Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% de seu financiamento. A Organização Mundial da Saúde e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%. Guerras e conflitos também continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento. Os gastos militares anuais somam quase 3 trilhões de dólares”, declarou.
Dívida dos países pobres e crise social
Lula argumentou que os números refletem dificuldades concretas enfrentadas pela população dos países em desenvolvimento, especialmente nas áreas de alimentação, saúde e educação.
“Não são cifras abstratas. Elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento. São milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada; crianças sem frequentar a escola; mulheres privadas de proteção; e comunidades vulneráveis diante de doenças que podem ser prevenidas. O mundo em desenvolvimento transfere 1,4 trilhão de dólares por ano em serviço da dívida, valor sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos”, afirmou.
Críticas ao neoliberalismo
O presidente brasileiro também fez críticas ao neoliberalismo e aos seus impactos sobre a economia e a estabilidade política mundial.
“Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos. O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, alertou.
Brasil apresenta propostas de cooperação
Ao apontar caminhos para enfrentar as desigualdades, Lula afirmou que o principal desafio é a implementação de políticas e a construção de consensos políticos internacionais.
“Precisamos de um sistema financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças. Está claro que o desafio não é administrar a escassez. O déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política”, disse.
O presidente destacou iniciativas apoiadas pelo Brasil, entre elas o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), voltado à preservação ambiental, a Aliança Global contra a Fome e o Painel Internacional sobre Desigualdade, proposto pela presidência sul-africana do G20.




