Célio Alves faz uma análise das causas da violência

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A morte de um casal por esquartejamento, em Guarabira, é um caso bem típico do que é violência, que não é o mesmo que segurança pública.
A violência é produzida pela e no seio da sociedade, são as pessoas que a praticam. Nos últimos tempos, o fazem de forma cada vez mais banal, como se a vida não tivesse valor algum.
O acusado desse crime era “amigo” das vítimas, a ponto de ter bebido com elas durante toda a noite. Na residência do casal, praticou os crimes bárbaros.
Como a polícia poderia evitar isso? Deveria, agora, existir um policial em cada casa na mesa de jantar, nos quartos, no quintal, na frente? Teríamos que transformar quase metade da população em policial e dá-lhe está ocupação laboral.
Quem custearia tal despesa?
E todas as pessoas aceitariam isso? Permitiriam se fazer acompanhadas de um policial em todas as suas atividades?
A violência foi cometida pela sociedade, no caso em discussão, e o Estado não teria como evitá-la. A ele, à segurança pública, coube prender o autor e encaminhá-lo ao Judiciário para julgamento, o que, efetivamente (a prisão), ocorreu em apenas seis horas após o crime.
Outro caso que se encaixa nessa análise deu-se em Mari. Pai e filho foram reclamar de um vizinho que soltava fogos de artifício. O pai terminou morto e o filho ferido. Como a polícia evitaria isso?
Não se deve confundir falta de segurança pública com violência. As polícias têm prendido como nunca, na Paraíba. No Brasil, para se ter uma ideia, a população presa não chegava a 100 mil, em 1990. Hoje, está na casa dos 700 mil presos. Só perdemos para Estados Unidos e China.
Isso, evidentemente, não anula o direito, a legitimidade e a necessidade de discutirmos ações que o aparelho de justiça deve empreender, que passam por repressão, elucidação e punição, envolvendo as polícias, o Ministério Público e a Justiça.
Independentemente disso, o que vê-se é uma sociedade doente do crime, recorrendo cada vez mais à violência como forma de resolver seus litígios. A vida virou algo banal.
Não podemos esquecer que segurança pública, diz a Constituição Federal, é dever do Estado (União, estados e municípios) e RESPONSABILIDADE DE TODOS.
É assim porque o crime tem raiz e está associado a uma complexidade de coisas. É preciso que cada olhe pra si e veja o que tem feito, em que pode melhorar. Assim, teremos melhor convivência social, primando por uma cultura de paz.
Parte da violência atual decorre, sem dúvida, da crise ética em que está mergulhada a sociedade brasileira, e não refiro-me à política. Crise ética que se apresenta nas mais diversas manifestações humanas e sociais.
 
Célio Alves
É advogado e atual secretário executivo de Comunicação da Paraíba