Articulista político diz que MDB da Paraíba está em extinção

Roberto Paulino e Zé Maranhão são caciques do MDB paraibano

 

Em artigo publicado no site Os Guedes, o jornalista Nonato Guedes, um dos mais veteranos na cobertura do mundo político, analisou a realidade do MDB paraibano. Para ele, o partido não tem fichas para jogar a sucessão 2020 em João Pessoa e está em extinção, na Paraíba:

 

Leia a íntegra

 

MDB de Maranhão não tem fichas para o jogo à sucessão na capital – Por Nonato Guedes

A dados de hoje, o MDB presidido pelo senador José Maranhão carece de fichas para entrar no jogo pela sucessão à prefeitura de João Pessoa no próximo ano. O partido, que já foi do coração do eleitorado pessoense, definha a olhos vistos, não apenas em João Pessoa, mas em toda a Paraíba. É na Capital que a situação é mais traumática para a legenda. Desde 2000 o partido praticamente sumiu do mapa no reduto mais importante do Estado. Em anos recentes, ainda conseguiu emplacar candidaturas a vice-prefeito ora com Ricardo Coutinho, ora com Luciano Cartaxo. O nome foi o do ex-deputado Manoel Júnior, que nem se deu bem com Ricardo nem com Luciano.

Em relação a Cartaxo, Júnior tinha a expectativa de que ele renunciasse à prefeitura para concorrer ao governo do Estado em 2018, o que não aconteceu. De olho nos movimentos do então governador Ricardo Coutinho (PSB), Luciano decidiu permanecer no cargo até o último dia de gestão, refutando apelos e cobranças para que fosse postulante ao Palácio da Redenção. Atirou à liça o irmão gêmeo Lucélio, que já fora testado na corrida ao Senado e perdeu para Maranhão na reta decisiva. Desta feita, Luciano costurou acordo com o PSDB, aproximando-se do grupo Cunha Lima, bastante influente, sobretudo, em Campina Grande. A mulher do prefeito de Campina, Romero Rodrigues (ex-PSDB, hoje PSD), Micheline Rodrigues, foi a vice de Lucélio, mas a chapa doméstica não empolgou o eleitorado. Júnior, que deixou o próprio (P)MDB para ficar à vontade em composições com Luciano que excluíssem o senador Maranhão, não teve maior peso ou influência na disputa de 2018 e se encaminha para concluir a passagem pela Capital sem perspectiva sobre seu futuro político.

O MDB paraibano perdeu quadros valiosos nos últimos anos, como Manoel Júnior, que se aliou à liderança de Cartaxo e o ex-deputado federal Veneziano Vital do Rêgo, que se acostou a Ricardo Coutinho e logrou, no ano passado, ser eleito senador do PSB. Maranhão foi candidato ao governo em 2018 por honra da firma e, levado a se coser com suas próprias linhas, formou chapa partidária tendo o ex-governador e seu ex-vice Roberto Paulino como candidato ao Senado. Os dois não foram longe na empreitada. Para o governo, o eleitorado ungiu João Azevêdo, do esquema de Ricardo, e para o Senado duas cadeiras foram renovadas, com a eleição de Veneziano e de Daniella Ribeiro (PP), ficando Cássio Cunha Lima sem a preciosa vaga pela qual lutou com unhas e dentes. O que houve com o MDB para chegar ao atual estágio de definhamento?

Analistas políticos culpam o “personalismo” do senador José Maranhão pela perda de espaços e de musculatura da agremiação no cenário político paraibano como um todo. Antes de Veneziano, o irmão Vital do Rêgo aventurou-se a uma candidatura ao governo no pleito de 2014, não logrando, contudo, ir para o segundo turno. Nesta rodada decisiva, Maranhão compôs-se com a candidatura de Ricardo Coutinho à reeleição. Vital Filho ou “Vitalzinho”, como é chamado, escafedeu-se no horizonte político abocanhando uma vaga de ministro do Tribunal de Contas da União, para a qual foi nomeado pela ex-presidente Dilma Rousseff, alvo de processo de impeachment que a afastou do Palácio do Planalto. “Vené” somente sobreviveu porque teve no PSB o apoio decisivo de Ricardo Coutinho na sua campanha e por ter se credenciado, na articulação política, atraindo apoios relevantes que reforçaram sua posição.

Varrido da Câmara Federal na atual legislatura, o MDB paraibano conta apenas com o deputado estadual Raniery Paulino, filho do ex-governador Roberto, na Assembleia Legislativa. Maranhão, que venceu uma histórica queda-de-braço com Ronaldo Cunha Lima pelo controle da agremiação, conta os dias para o encerramento de sua atuação no Senado da República, após o que deverá vestir o pijama, colocando um ponto final numa trajetória que principiou na década de 50 e que o conduziu, por três vezes, ao Palácio da Redenção, alcançando uma proeza que foi a de se tornar “tríplice coroado”. Na primeira, JM assumiu a titularidade como vice de Antônio Mariz, que morreu no primeiro ano de governo, na década de 90. Na segunda vez, em 1998, Maranhão habilitou-se à reeleição, que havia sido recém-implantada no país e derrotou os Cunha Lima em convenções internas. Acabou tendo como adversário Gilvan Freire e foi proporcionalmente o governador mais votado do país. Em 2009, enfim, voltou ao Palácio da Redenção por determinação do TSE, na condição de segundo colocado do pleito 2006, a fim de completar o mandato de Cássio Cunha Lima, que fora cassado.