Depois de grampo, Reinaldo Azevedo pede demissão da Veja e da Jovem Pan

As conversas interceptadas pela Polícia Federal aconteceram nos dias 13 e 14 de abril, duas semanas após a Veja informar que a operação Lava Jato havia chegado a Aécio Neves

maio 23, 2017
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Por mais de 11 anos, o jornalista Reinaldo Azevedo comandou o blog que leva o seu nome no site da revista Veja. Comandou. Passado. Nesta terça-feira, 23, ele anunciou que pediu demissão da publicação. A decisão foi tomada – e já acertada junto à direção do veículo de mídia – após conversas do blogueiro com a também jornalista Andrea Neves, irmã do senador (afastado) Aécio Neves (PSDB-MG), serem divulgadas pelo BuzzFeed News Brasil, que se pautou pelo documento anexado pela Procuradoria-Geral da República ao inquérito que investiga supostos crimes cometidos pelos irmãos Neves.

A reportagem do BuzzFeed News sobre a conversa grampeada é assinada por Filipe Coutinho. Com o caso vindo à tona, Reinaldo Azevedo usou o seu blog para anunciar sua saída da Veja. Ele afirma que pediu demissão, mas explica que o contrato dele com o site da revista “está sendo rompido”. A divulgação do grampo com a saída do colunista da publicação mantida pela Editora Abril tem a ver com o teor crítico do então blogueiro da casa em relação à reportagem de capa negativa a Aécio Neves. Além de registrar que “Reinaldo Azevedo e Andrea Neves declamam poemas um para o outro”, o texto do BuzzFeed pontua que o colunista definiu o trabalho da revista como “nojento”.

As conversas interceptadas pela Polícia Federal aconteceram nos dias 13 e 14 de abril, duas semanas após a Veja informar que a operação Lava Jato havia chegado a Aécio Neves. Sobre o teor do conteúdo do diálogo com Andrea, Reinaldo Azevedo informou que a irmã do parlamentar mineiro é sua fonte, assim como outras figuras da política nacional. Com o vazamento, o blogueiro criticou o que definiu como “estado policial”, uma vez que não é investigado. Ao tornar público o posicionamento que enviou à reportagem do BuzzFeed News [íntegra ao fim deste texto], o jornalista pontuou que a divulgação do telefonema feriu uma das garantias da profissão – que tem o sigilo de fonte preservado pela Constituição.

Ao encerrar o post em que comunica que está de saída da Veja.com, Reinaldo Azevedo cita o antigo e o atual diretor de redação da revista, Eurípedes Alcântara e André Petry, respectivamente. “Sempre escrevi o que quis. Nunca houve interferência”, escreveu o colunista. Sobre o período de existência de seu blog, que completaria 12 anos no ar no próximo mês, ele analisou: “o saldo é extremamente positivo. A luta continua”.

Reinaldo Azevedo fora da Jovem Pan

Em contato com a reportagem do Portal Comunique-se, Reinaldo Azevedo informou que não está de saída apenas da Veja.com. Ele adiantou que também pediu demissão da Jovem Pan, emissora em que era contratado desde dezembro de 2013. Com o fim da parceria com o jornalista, o veículo não levou ao ar nesta terça-feira, 23, o programa “Os Pingos nos Is”, que era comandado pelo comunicador desde abril de 2014. A JP, ao menos por hoje, estendeu a atração “3 em 1”, que tem o elenco formado por Vera Magalhães, Carlos Andreazza e Marcelo Madureira. “As razões da minha saída da rádio antecedem a agressão de que estou sendo vítima”, comentou o profissional que segue na Rede TV (onde grava comentários para o telejornal Rede TV News) e na Folha de S. Paulo (impresso para o qual produz colunas semanais).

Confira o posicionamento de Reinaldo Azevedo enviado ao BuzzFeed News Brasil e divulgado no post de despedida dele no blog da Veja:

1: não sou investigado;

2: a transcrição da conversa privada, entre jornalista e sua fonte, não guarda relação com o objeto da investigação;

3: tornar público esse tipo de conversa é só uma maneira de intimidar jornalistas;

4: como Andrea e Aécio são minhas fontes, achei, num primeiro momento, que pudessem fazer isso; depois, pensei que seria de tal sorte absurdo que não aconteceria;

5: mas me ocorreu em seguida: “se estimulam que se grave ilegalmente o presidente, por que não fariam isso com um jornalista que é crítico ao trabalho da patota?;

6: em qualquer democracia do mundo, a divulgação da conversa de um jornalista com sua fonte seria considerada um escândalo. Por aqui, não;

7: tratem, senhores jornalistas, de só falar bem da Lava Jato, de incensar seus comandantes;

8: Andrea estava grampeada, eu não. A divulgação dessa conversa me tem como foco, não a ela;

9: Bem, o blog está fora da VEJA. Se conseguir hospedá-lo em algum outro lugar, vocês ficarão sabendo;

10: O que se tem aí caracteriza um estado policial. Uma garantia constitucional de um indivíduo está sendo agredida por algo que nada tem a ver com a investigação;

11: e também há uma agressão a uma das garantias que tem a profissão. A menos que um crime esteja sendo cometido, o sigilo da conversa de um jornalista com sua fonte é um dos pilares do jornalismo.
Fonte: Comunique-se

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