Do partido de Raniery, Temer é chefe de organização criminosa há 40 anos, diz Lava-Jato

Bretas determinou a prisão do ex-presidente Michel Temer e seu ex-ministro das Minas e Energia Moreira Franco, além de coronel Lima e outras sete pessoas

março 21, 2019
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O ex-presidente Michel Temer, que presidiu o PMDB, atualmente MDB, durante 15 anos, é o chefe de uma organização criminosa que atua há 40 anos no Rio, segundo a investigação da Lava-Jato. No pedido de prisão do emedebista assinado pelo Ministério Público Feral (MPF) no Rio, os procuradores da Lava-Jato apontam que Temer e coronel Lima atuaram durante 40 anos em uma “parceria criminosa” que se perpetuou por décadas.

Temer é filiado ao partido do deputado estadual Raniery Paulino (MDB), que lidera a oposição na Assembleia Legislativa, era amigo pessoal da família Paulino, de Guarabira-PB. Em 2010, candidato a vice-presidente da República na chapa liderada por Dilma Rousseff (PT), Michel Temer participou da inauguração do comitê de campanha do ex-governador Roberto Paulino, que era candidato a deputado federal, sendo derrotado nas urnas.

Na decisão que determinou a prisão de Temer e de outras nove pessoas, o juiz da 7ª Vara Criminal Federal, Marcelo Bretas diz que “Michel Temer é o líder da organização criminosa”, e o “principal responsável pelos atos de corrupção descritos”.

Bretas determinou a prisão do ex-presidente Michel Temer e seu ex-ministro das Minas e Energia Moreira Franco, além de coronel Lima e outras sete pessoas na manhã desta quinta-feira. Agentes da Polícia Federal (PF) cumpriram 10 mandados de prisão — oito preventivas e duas temporárias em São Paulo, Rio, Porto Alegre e Brasília. A ação, denominada Descontaminação, é um desdobramento da Operação Radioatividade, que investiga desvios nas obras da Usina de Angra 3 e tem como base a delação do empresário José Antunes Sobrinho, dono da Engevix, que menciona pagamentos indevidos de R$ 1 milhão em 2014.

Temer recebe em Brasília a então prefeita de Guarabira, Fátima Paulino, Roberto Paulino e Raniery Paulino

À PF, Sobrinho detalhou as negociações com o coronel João Baptista Lima, amigo de Temer e apontado como seu principal operador pelos investigadores, além das pressões sofridas para fazer pagamentos ao MDB. O MPF, na peça que sustentou o pedido de prisão de Temer, alegou que “foi possível demonstrar também que o dinheiro desviado dos cofres públicos serviu para custear reforma na casa de Maristela Temer, filha do ex-presidente da República, o segundo a ser preso depois de Luiz Inácio Lula da Silva.

Coronel Lima é a pessoa de confiança de Michel Temer desde a década de 80, segundo o MPF. De acordo com os procuradores, Temer e Lima “construíram uma vida de cometimento de ilícitos em prejuízo ao Erário”.

“Não por outra razão, Coronel Lima é uma figura de destaque na organização criminosa, sendo o resposável por administrar as empresas Argeplan e PDA. Dentre outras, ambas as empresas foram constituídas em nome de Lima e outros para encobrir as negociatas ilícitas realizadas por Michel Temer, bem como para realizar os atos de lavagem de dinheiro”, escreveu.

Segundo o MPF, Michel Temer acumulou um “crédito” de propina para receber “no presente e no futuro, durante anos, pois os seus atos que beneficiaram o setor empresarial permitiram a barganha de uma “poupança de propina” com resgate quase que vitalício”.

A lista dos presos na Operação Descontaminação:
Presos preventivos:
– Michel Miguel Elias Temer Lulia, João Baptista Lima Filho (Coronel Lima), Wellington Moreira Franco, Maria Rita Fratezi, Carlos Alberto Costa, Carlos Alberto Costa Filho, Vanderlei De Natale e Carlos Alberto Montenegro Gallo.

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