
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (25), em Três Lagoas (MS), que a produção nacional de fertilizantes é uma questão estratégica para a soberania do Brasil. A declaração foi feita durante a cerimônia que marcou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), empreendimento da Petrobras paralisado desde 2015 e agora reinserido no planejamento de investimentos da estatal.
As informações são da Agência Gov, via Planalto. Segundo o governo federal, a retomada da UFN-III integra o Novo PAC e receberá mais de R$ 5 bilhões em investimentos, com o objetivo de ampliar a produção brasileira de fertilizantes, fortalecer a segurança alimentar e reduzir a dependência externa do país em um setor considerado vital para o agronegócio e para a agricultura familiar.
Empresas contratadas
A Petrobras também definiu as empresas responsáveis pela conclusão da fábrica. Entre as grandes vencedoras da disputa está a PowerChina, da China, que atuará em parceria com a brasileira Nova Engevix Engenharia e Projetos nos lotes 6, 8 e 10 do empreendimento. Também foram selecionadas ETC Empreendimentos e Tecnologia em Construção, Engeko Engenharia, o consórcio Enfil/Carioca, o consórcio Monto Industrial/Mendes Júnior e outras frentes lideradas pela própria Nova Engevix.
Em seu discurso, Lula afirmou que o Brasil não pode continuar vulnerável à importação de insumos essenciais para a produção de alimentos. “Estou orgulhoso porque ainda sonho que a gente vai ter acima de 70% de todo o fertilizante que nós precisamos nesse país. Porque um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz”, disse o presidente.
Lula reforçou que a retomada da fábrica representa um passo concreto para reconstruir a capacidade industrial brasileira e diminuir a exposição do país a crises internacionais. “Pode ficar certo: esse país vai construir sua soberania sendo independente de importação de fertilizantes de outro país. É apenas esperar que a gente vai ver o que vai acontecer”, afirmou.
A UFN-III é considerada um dos principais projetos da Petrobras na área de fertilizantes. Após nova reavaliação técnica e econômica, a estatal confirmou a viabilidade da obra e sua aderência ao Plano de Negócios 2026-2030. A unidade será uma das maiores plantas da indústria química e de fertilizantes do país e deve consolidar Três Lagoas como um polo industrial ainda mais relevante.
As obras da UFN-III começaram em 2011, mas foram interrompidas em 2014. Atualmente, aproximadamente 81% da estrutura já está concluída. Para executar a fase final do empreendimento, a Petrobras dividiu a obra em diferentes lotes, estratégia que busca ampliar a concorrência entre as empresas participantes e reduzir os riscos associados à concentração de contratos.




