Música brasileira perde Dominguinhos; ele lutava contra um câncer e morreu aos 72 anos

julho 24, 2013
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José Domingos de Moraes, Dominguinhos, morreu no final da tarde desta terça-feira, 23, no Hospital Sírio Libanês, onde estava internado desde janeiro para tratar das complicações de um câncer no pulmão. O sanfoneiro, herdeiro de Luiz Gonzaga, estava com 72 anos. A cantora Guadalupe, casada com o músico, disse que passou a tarde com ele, ao lado de seu leito, dizendo o quanto era especial, o quanto ela queria que ele ficasse com a família. Juntos, ouviram ainda a música Casa Tudo Azul, do próprio Dominguinhos, a que seria a de sua despedida. “Casa tudo azul, eu me lembro de você / Mas hoje foi difícil lhe deixar / todo amor que havia em meu retrato podes ver / e tudo que eu vivi nesta janela vai passar.” “Ele partiu assim, lentamente, foi embora com os anjos”, disse Guadalupe.

Era sanfona mesmo. Com ele não tinha esse negócio de acordeão. Acordeão, acordeona, gaita – tudo coisa do pessoal do Sul, acostumado a inventar moda pra deixar chique o que era do povo. Zezinho queria era saber de tocar, e tocar igualzinho ao pernambucano cara de lua cheia de Exu e de voz potente que um dia o viu comendo uma sanfona com farinha na rua, ao lado dos irmãos com quem formava o grupo Os Pinguins, e o convidou para ir morar no Rio de Janeiro. José Domingos de Morais foi e ganhou de Luiz Gonzaga um belo fole de 120 baixos. A partir daí, seria Dominguinhos para sempre.

O cetro de uma nação nordestina inteira foi passada para ele antes mesmo que o Rei do Baião morresse. Luiz Gonzaga dizia a quem quisesse ouvir que seu maior seguidor, muitas vezes maior do que ele mesmo, era aquele moleque danado de Garanhuns, com voz menos potente mas dedos muito mais ligeiros. Dominguinhos ainda não era um mito, mas seria para ele que o mundo olharia quando quisesse saber de baião, xote, xaxado, forró. “Não é tudo a mesma coisa não. Cada nome é um ritmo muito diferente do outro”, ensinava. Mais: o jovem de sorriso grande e fácil estudou um pouco mais do que Gonzaga e pulou a cerca para a fazenda do vizinho. Aprendeu assim a fazer jazz, choro, bossa nova. O que lhe caía nas mãos ele tocava. E com uma entrega que fazia a testa de Gonzaga suar nas vezes em que os dois se apresentavam juntos.

Fonte: Estadão

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