Para Veneziano, Bolsonaro mostra desconhecer gestão educacional ao defender ensino domiciliar

Ele disse ter acompanhado com preocupação a decisão do presidente de encaminhar à Câmara a proposta legislativa de inclusão da Educação Domiciliar no Brasil.

abril 14, 2019
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O senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) foi à Tribuna do Senado para comentar a assinatura, por parte do presidente da República Jair Bolsonaro, do Projeto de Lei que pretende enviar à Câmara dos Deputados para regulamentar a Educação Domiciliar no Brasil. Para Veneziano, a proposta é preocupante, pois tira das crianças a experiência de socialização, além de reduzir os investimentos na capacitação dos professores.

Veneziano demonstrou uma grande preocupação com os rumos que a Educação no Brasil está tomando, considerando ser uma área fundamental e lembrando que o Ministério da Educação não apresentou, neste governo, até agora, nada de positivo para o País. “Nós tivemos três meses perdidos na Educação. Não tivemos nenhuma linha, não se estabeleceram as metas, objetivos, nada”.

Ele disse ter acompanhado com preocupação a decisão do presidente de encaminhar à Câmara a proposta legislativa de inclusão da Educação Domiciliar no Brasil. “A minha primeira impressão para o Presidente e para aqueles que o cercam é que a proposta é desastrosa e extremamente periclitante, sobretudo ao imaginar que tantos milhares de brasileiros não estão tendo acesso ao banco escolar, muitas das vezes por força da omissão e da negligência de seus pais. Nós teremos jovens orientados por esses pais?”.

Veneziano citou seu exemplo de casa, afirmando ter dois filhos e não vendo como positivo ter de educa-los no que se refere a conteúdo didático, em detrimento do convívio escolar. “Eu tenho dois filhos e, se me fosse dado e oportunizado transmitir e orienta-los com a educação domiciliar, eu estaria, de fato, desatualizado da grade curricular. Portanto, como nós pretendemos fazer essa educação domiciliar? Não podemos improvisar com a educação dos nossos jovens”, disse Veneziano.

O senador criticou o fato de o governo Jair Bolsonaro, mesmo sabendo que existem 45 milhões de estudantes nas escolas brasileiras, escolhe priorizar, em seus primeiros 100 dias, o ensino em casa, praticado por, apenas, cerca de 7 mil famílias. Com esta medida, muitas crianças e jovens perderão a primeira experiência de socialização e de contato com a diversidade. Fora isso, ele lembra que as pesquisas internacionais não chegam a um consenso sobre a qualidade da formação dos que estudaram em casa.

E, ao focar nessa política, “o governo pode estar não só deixando de melhorar a aprendizagem de quem está na escola, como piorando a dos que saíram dela”.

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