
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pré-candidato à Presidência, falou por cinco minutos nesta terça-feira (7/7), em audiência do governo americano, para tentar impedir a imposição de novas tarifas dos Estados Unidos contra produtos importados do Brasil.
Representantes do setor privado do Brasil e dos Estados Unidos estão em Washington nesta semana para apresentar seus argumentos contra ou a favor da medida.
A movimentação do senador é uma reação às acusações de que a família Bolsonaro seria a responsável pelas retaliações do governo Donald Trump contra o país, após o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro articular com autoridades americanas medidas para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) e tentar impedir a condenação de seu pai por tentativa de golpe de Estado no ano passado, sem sucesso.
Ao discursar para autoridades americanas, Flávio solicitou que os membros da Comissão responsável por analisar o tema “não imponham as tarifas ao Brasil, preservem o sucesso do Pix e cancelem esta medida para que possamos negociar”, divulgou sua assessoria.
Os Estados Unidos estudam impor novas tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros, com o argumento de que certas práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem o comércio dos EUA”.
Essas tarifas foram recomendadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), após uma investigação comercial contra o Brasil, iniciada em julho passado, quando Trump anunciou uma série de retaliações contra o Brasil para tentar impedir uma suposta perseguição contra Jair Bolsonaro.
Na ocasião, ele também anunciou tarifas de até 50% contra produtos brasileiros, mas depois essa taxação foi, em boa parte, revertida, diante do impacto negativo no bolso dos americanos, devido ao encarecimento de itens vendidos pelo Brasil, como café e carne.
Além disso, a Suprema Corte americana também derrubou tarifas que a Casa Branca havia imposto de forma ampla sobre vários países, inclusive o Brasil, por considerar a medida irregular.
As novas tarifas que os EUA estudam aplicar, porém, tendem a ser mais difíceis de ser revertidas, reconhecem autoridades brasileiras, porque se baseiam em uma investigação contra supostas práticas comerciais abusivas do Brasil, embora o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) refute essas acusações.
A possibilidade de novas tarifas foi anunciada pelos EUA no início de junho, poucos dias após visita do senador à Casa Branca.
Entre essas supostas práticas abusivas está o Pix, que a Casa Branca vê como uma concorrência desleal a outros meios de pagamento, como cartões de crédito de grandes bandeiras americanas.
Em sua fala na audiência, Flávio defendeu o sistema brasileiro.




