As represálias de Toscano e o dilema de Teotônio

Zenóbio não quer ninguém fazendo sombra ao seu queridinho na disputa pela sucessão municipal

abril 20, 2019
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Por Jota Alves

Antônio Teotônio de Assunção e Zenóbio Toscano de Oliveira

Azedou de vez a longeva relação de amizade e cumplicidade, que já dura 40 anos, entre o prefeito de Guarabira, Zenóbio Toscano (PSDB) e o advogado, ex-presidente da Subseção da OAB-Guarabira, Teotônio Assunção.

Depois de afirmar publicamente que tem interesse em disputar a Prefeitura de Guarabira nas eleições de 2020 ou indicar a esposa, Neide de Teotônio (PPS), para a peleja, Teotônio vem sentindo na pele as consequências de tentar alçar voos na política sem o aval do “chefe”.

Numa entrevista recente, Assunção, que é filiado ao PPS, disse ter monitorado através de pesquisas o comportamento do eleitorado e afirmou, categoricamente, que se o seu nome e o de Neide permanecerem em patamares de aceitação, até próximo da eleição, como encontram-se atualmente, um dos dois enfrentará a disputa, independente da chancela do grupo governista, comandado por ZT.

Na semana passada, Teotônio experimentou a fúria de Toscano ao solicitar a renovação da licença sem vencimento por mais dois anos. O prefeito negou o pedido de Teotônio sem nenhuma cerimônia.

ZT ignorou sério problema de saúde enfrentado pelo advogado e professor do município. Ele foi submetido a procedimento cirúrgico na coluna (hérnia de disco) e está em fase de tratamento, através de sessões diárias de fisioterapia. Teotônio temia não voltar a andar, como já ocorreu com muitas pessoas que já tiveram similar enfermidade. Mas a cirurgia foi bem-sucedida e ele já voltou a trabalhar, obedecendo cuidados médicos.

Essa semana teve mais uma rebordosa. Os vereadores da base governista esqueceram que Neide foi eleita também na base e votaram massivamente contra um projeto de lei de sua autoria, que institui mecanismos de transparência da arrecadação de impostos, taxas e multas na gestão municipal. Mesmo tendo o PL aprovado por sete votos, seis vereadores do tucanato se abstiveram de votar.

Para não votar contra o projeto, os parlamentares da base governista foram orientados a ficar em cima de muro e se abstiveram de votar.

O PL, claramente, tem a assessoria voluntária do advogado e professor Teotônio Assunção. Depois de aprovado, a gestão terá de publicar no Portal da Transparência todos os gastos e receitas mensais, até o dia 10 do mês subsequente.

O processo de isolamento da família Teotônio se dá por uma razão muito simples. Zenóbio não quer ninguém fazendo sombra ao seu queridinho na disputa pela sucessão municipal. Embora, estrategicamente, não diga publicamente quem é seu preferido no ninho tucano, ZT não quer nem ouvir falar noutro nome a não o do “insosso” Marcus Diogo.

Com o conjunto de represálias já perpetradas e com as que estão por vir, não restará outro caminho a Teotônio a não ser o de partir em debandada. Fazer as malas da hostil companhia que se apresenta em tempos modernos. Lá se vai uma amizade e compadrio que já conta perto de 40 anos. Afinal, desde os tempos de morador da comunidade da Palmeira, quando atravessava o rio à braçadas para estudar na rua, Teotônio vota em Toscano. A se materializar, como se prevê, será a primeira vez que não votará em Toscano ou candidato apresentado por ele.

Em geral, salvo honrosas exceções, os políticos não aceitam que alguém próxima de seu convívio queira criar asas. Também inexiste amizade na política. Esperar reciprocidade nessa relação é ilusório, mesmo se tratando de figura abastada. Não importa quão abundante ou paupérrimo seja, o que eles querem é o voto.

Ante o exposto, para onde caminharão Teotônio e Neide na peleja política que se avizinha?

Irão aceitar passivamente, baixar a guarda e engolir ZT e Marcus Diogo?

Migrarão para os braços do fracassado grupo Paulino (Roberto Paulino já perdeu 4 campanhas seguidas que disputou ultimamente)?

Se aliam aos seguidores de Ricardo Coutinho e João Azevêdo, responsáveis por impor derrota aos grupos Paulino e Toscano, no primeiro turno, nas últimas eleições?

Vão formar um grupo paralelo, composto por dissidentes insatisfeitos, disposto a apresentar uma alternativa que destoe do establishment?

Façam suas apostas.

 

Jota Alves é radialista com passagens pelas rádios Constelação FM e Rural AM de Guarabira, Tabajara de João Pessoa e jornais Folha do Brejo e Jornal da Paraíba. Atualmente é editor e articulista político do Portal 25 Horas.

E-mail: jota25horas@gmail.com

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