DEM busca aproximação com o PSB de Eduardo Campos

Presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN)

SALVADOR – Após eleger ACM Neto prefeito de Salvador, a terceira capital do país, os dirigentes do DEM recuperaram o fôlego e querem agora valorizar o passe do partido para as eleições de 2014. Como primeira medida, caciques da legenda passaram a defender aproximação com o PSB de Eduardo Campos.

Depois de 16 anos acompanhando o PSDB de forma quase automática nas disputas presidenciais, setores do DEM defendem que a legenda se mostre disposta a conversar com outros interlocutores. O PSB surge como alternativa natural, até por ser o único partido com uma possível candidatura para rivalizar com a polarização PT-PSDB.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), e o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) são dois dos maiores entusiastas do diálogo com o PSB. Nos últimos anos, cresceu entre os democratas a insatisfação em relação aos tucanos, com a avaliação geral de que os aliados históricos vêm tratando o partido como mera linha auxiliar, sem retribuir o auxílio que recebem nas eleições nacionais.

Nesta eleição municipal, os democratas destacam a falta de apoio em cidades-chave para o partido, como Recife e Fortaleza, onde nas primeiras pesquisas candidatos do DEM apareciam com chance, mas acabaram não obtendo o apoio do PSDB, que preferiu lançar nomes desconhecidos.

— O DEM há muito tempo é identificado e misturado com o PSDB. Esse tempo acabou. O parceiro preferencial continua sendo o PSDB, até porque estamos juntos na oposição. Agora, por que não podemos conversar com A, B ou C com liberdade e autonomia? — afirma Maia. — Existe algo que nos impeça de conversar com Eduardo Campos? Não.

Os tucanos também são acusados por setores do DEM de participação na criação do PSD. O novo partido, que já havia tomado cerca de um terço da bancada do DEM na Câmara, ajudou na sensível redução no número de prefeitos democratas eleitos mês passado, de 492 (em 2008) para 278.

O Globo