Depois de chamar colegas de ‘ladrões’, senador Mário Couto é cobrado a dar nomes

outubro 31, 2012
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Senador Mário Couto (PSDB-PA) Agência O Globo / Ailton de Freitas

Um discurso do senador Mário Couto (PSDB-PA), na tribuna do Senado, chamando os parlamentares de “ladrões”, dizendo que a corrupção é generalizada na política brasileira, e defendendo que o Supremo Tribunal Federal (STF) analise a evolução patrimonial de todos os deputados e senadores, na tarde desta terça-feira, provocou protestos de seus pares. O tucano elogiou o julgamento do mensalão, mas afirmou que ele não é suficiente.

– São dezenas ou centenas de parlamentares que estão aqui cheios de processos nas costas. Está escrito na testa: ladrão. Estão ricos porque roubaram do povo – afirmou Couto, aos berros, como de costume, na tribuna do Senado.

A primeira a se manifestar foi a líder do PSB, senadora Lídice da Mata (BA), que reagiu ao discurso do tucano:

– Não aceito esse tipo de pronunciamento. Meu partido tem senadores dignos, honestos.

Líder do PSDB, o senador Álvaro Dias (PR), tentou colocar panos quentes. Ele não ouviu o discurso do correligionário, mas tentou minimizá-lo:

– Ele não fez referência a nomes. Não acredito que ele tenha generalizado. Talvez não tenha sido bem entendido.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que presidia a sessão, também protestou:

– Eu corroboro (com a senadora Lídice da Mata). Ele generalizou, sim.

Horas depois, Couto voltou ao plenário para reclamar de suposta censura do Senado ao seu discurso. O presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que tomaria providências.

– Eu quero que a palavra ladrão esteja contida no meu pronunciamento. É um direito democrático que eu tenho.

E agora,um dia depois de chamar, na tribuna do Senado, os parlamentares de “ladrões” , o senador Mário Couto (PSDB-PA) foi instado na tarde desta quarta-feira, também em plenário, a dar nomes. O tucano reafirmou que colegas teriam enriquecido de forma ilícita, mas não citou casos específicos e disse que, se quiserem, podem cassar seu mandato.

– Dizer nome, nem preciso. Não citei nomes pelas regras do regimento interno, não por covardia. Se quiserem me cassar, cassem – disse Couto.

O tucano declarou patrimônio de R$ 598 mil à Justiça Eleitoral em 2006. E ele enfrenta um inquérito no STF, que apura a ocorrência de supostos crimes eleitorais. E é alvo de ações civis públicas, movidas pelo Ministério Público Estadual, para ressarcimento de supostos danos causados ao erário e responsabilização por improbidade administrativa, por supostos desvios de recursos da Assembleia Legislativa do Pará quando ocupou a presidência da Casa (2003-2007).

Couto foi cobrado a dar nomes pelos senadores Pedro Taques (PDT-MT), Ana Amélia (PP-RS) e Eduardo Suplicy (PT-SP).

 

O Globo

 

 

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