As lições que levo do ano velho

Por Jota Alves

E como num estalar de dedos, eis que estamos no último dia de 2019. Mais um ano para a conta e muitas lições tiramos para aprimorar a nossa existência nesse plano, onde pulsam vidas e pululam mistérios.

Compartilho com os possíveis leitores alguns ensinamentos acumulados ao longo desses 365 dias derradeiros apenas como forma de desabafar sobre o que muitas vezes fica apenas na nossa caixa craniana. Transformar esses sentimentos em mensagens em busca de um receptor é uma necessidade premente na maioria dos mortais.

Em 2019 voltei a frequentar sala de aula, convocado que fui pelo Instituto Federal da Paraíba para cursar Gestão Comercial. Tive que me readaptar, depois de 17 anos longe das salas de aula. Trabalho em grupo, seminário, quadro, tarefa de casa, prova…

Veio em boa hora, eu precisava voltar a estudar, a dividir espaço coletivo com novas cabeças, beber da sabedoria dos mestres do IFPB-Campus Guarabira. Foi um semestre intenso.

Não foi fácil, mas já se foi o primeiro semestre e que venham os próximos cinco.

Ah, também fiz novas amizades, de longe e de perto. Conhecer histórias de vida que nos inspire é um aprendizado fantástico.

Amizade velha, que pensava eu, fosse como “catinga de cú” acabou sendo desfeita. O desgaste veio à galope, trazido pelo cavalo da política, que possui capacidade açoitar velhas ou novas amizades e abala até relações consanguíneas.

Mas em tempos considerados pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman de “modernidade líquida” não causa-me espécie a opção pela autossuficiência. Bauman chama atenção para a “liquefação das formas sociais: o trabalho, a família, o engajamento político, o amor, a amizade e, por fim, a própria identidade”.

O ano foi de decepção coletiva na política paraibana com a descoberta de um esquema criminoso que dilapidou os cofres do Estado. Agentes públicos gravados acertando recebimento e entrega de propinas milionárias. Colaborações premiadas confirmando entrega de caixas cheias de dinheiro sujo.

O ex-governador Ricardo Coutinho, um dos promissores quadros da política brasileira, que realizou uma gestão das melhores do Brasil, pego com a mão na cumbuca. Nem os mais ferrenhos oponentes de RC imaginavam que seria para tanto. Resultado: lamaçal para todos os lados agentes públicos encarcerados. Uma tragédia não anunciada.

2019 me ensinou que eu já não tenho mais 20 anos e que “é preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer. É preciso saber viver”. Não tenho mais idade para construir castelos de areia.

A palavra assertiva e o cuidado excessivo de mãe, o silêncio de pai. A força de vontade da companheira de todas horas, o barulho do meu lar cheio de vida. As perguntas do meu filho mais velho (11 anos), a perspicácia da minha filha do meio (4 anos) e o abraço apertado do meu caçula (menos de 2 anos).

Aprendi que vale a pena viver pra valer! Viva mais em 2020!

 

Jota Alves é radialista com passagens pelas rádios Constelação FM e Rural AM de Guarabira, Tabajara de João Pessoa e jornais Folha do Brejo e Jornal da Paraíba. Atualmente é editor e articulista político do Portal 25 Horas.
E-mail: jota25horas@gmail.com