Em Guarabira o BB não é bom para todos

novembro 16, 2012
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Caixa do BB no centro de Guarabira

Embora redundante, faz-se necessário iniciar repetindo que Guarabira polariza uma região formada por mais de 40 municípios e, em um raio de 90 quilômetros não há outra cidade com tal envergadura econômica, tão vocacionada para o comércio e em pleno crescimento.

O Banco do Brasil certamente ainda não descobriu isso ou faz pouco caso desta realidade tão óbvia e aos olhos de todos, pois mantém em Guarabira uma agência velha, obsoleta, pessimamente localizada, além de possuir em seu histórico vários remendos feitos ao longo dos últimos dez ou quinze anos. As tais mudanças de layouts como são chamadas e que em nada melhoraram seu atendimento ao público.

Faça-se justiça aos funcionários, que mesmo em número cada vez mais reduzido, tentam salvar a combalida imagem do que foi o Banco do Brasil em nossa cidade. No entanto, acabam esbarrando em questões estruturais e certamente na insensibilidade das instâncias superiores do Banco. Digo isso porque em conversa com gerentes que já passaram por nossa cidade, eles, aos meus reclamos, informaram das dificuldades enfrentadas junto à superintendência no sentido melhorar o atendimento em Guarabira.

Sou correntista há mais de 20 anos, reza no meu talão de cheques. Em todos esses anos e mesmo antes de ser correntista, acompanhei todas as fases do BB em nossa cidade, do fausto do dinheiro barato para a agricultura à derrocada dos anos 80/90. Dos PDV’S e da introdução do BB no salve-se quem puder do mercado. Do abandono de uma das suas características predominantes, a de ser um banco de fomento. Hoje, para gente de padrão modesto como o meu, o Banco nunca esteve tão ruim, já que sequer consigo sacar de forma minimamente confortável e a tempo o pouco dinheiro que possuo depositado. Fiquem certos que represento a voz de algumas dezenas de pessoas com as quais convivo diariamente e estas, por sua vez, representam muitas outras vozes.

Como todos conhecem, o Banco do Brasil assumiu o encargo do pagamento do funcionalismo público estadual e como aqui se diz “pegou na rodilha sem saber se podia se ajudar com o pote”, ou seja, assumiu compromisso maior do que podia suportar, pelo menos em Guarabira e em termos de atendimento ao público, já que a parte boa, a de ficar como o nosso dinheiro e aplicá-lo no mercado financeiro, isso o Banco pode.

Depois de muitos protestos da população, o BB concebeu mais um remendo para minorar o problema, ao aceitar instalar um dos seus terminais em uma quartinho construído de arranjo, pela prefeitura, no centro da cidade, assemelhado a uma latrina e que faz mesmo as vezes de latrina, pois fica localizada entre os bares da Praça João Pessoa, onde não existe sanitário público e o dos bares, não raro, não suportam a demanda. Em muitas oportunidades o correntista entra para fazer um saque e alguém já fez um depósito de urina, o que torna a primeira operação incrivelmente desagradável.

Mais recentemente foi instalado outro terminal no Posto Frei Damião. Ambos quando não estão totalmente desconectados, quebrados ou desabastecidos ostentam em sua tela a mensagem “TERMINAL DISPONIVEL PARA CONSULTA”. Estou prestes a deixar de ser correntista para ser apenas consulente, pois faz seis dias que o terminal do Posto Frei Damião só me oferece essa alternativa.

Se você for portador de alguma deficiência e precisar chegar de carro à agência do BB de Guarabira, esqueça. A maioria das agências do Banco do Brasil da região já sofreu até assalto, a de Guarabira é tão inacessível tanto para entrar como para sair que os ladrões, mesmo os mais dispostos, nunca ousaram assaltá-la.

Em João Pessoa, diferente daqui, encontro terminais do BB espalhados por onde passo, já vi deles em recepção de Hospitais, em lojas de conveniência, em calçadas e até próximo a um caldo de cana, todos abrigados em quiosques caracterizados pelo Banco do Brasil, bem iluminados, refrigerados, limpinhos e funcionando, prontos para nos fornecer as cédulas de que ainda precisamos tanto para as nossas transações diárias.

Concluo, portanto, que morar em Guarabira nos torna clientes de segunda categoria. O banco, ao economizar “palitos de fósforo” não disponibilizando mais terminais pela cidade ou sequer mantendo em funcionamento os dois existentes para uma população regional de mais de 200 mil habitantes, pode até conservar seus balanços superavitários, porém urina, com o perdão da expressão, no nosso orgulho de cidade além de aumentar cada vez mais a legião de insatisfeitos.

Alexandre Henriques

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