O autogolpe pretendido por Bolsonaro e a resistência necessária

Por Jota Alves

São desoladoras as notícias que nos chegam sobre os movimentos avançados de ruptura da ordem democrática no Brasil. E o mais lamentável é que tenham partido do Palácio do Alvorada, onde mora o atual presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro.

É o presidente quem lidera os movimentos antidemocráticos, que caminha para a decretação do autogolpe, que “é uma forma de golpe de Estado que ocorre quando o líder de um país, que chegou ao poder através de meios legais, dissolve ou torna impotente o poder legislativo nacional e assume poderes extraordinários não concedidos em circunstâncias normais”.

Já faz meses que o Messias tem como programa dominical favorito a participação em atos em defesa do governo dele e contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Em muitas falas, vociferadas em tom ameaçador, flerta com o autogolpe, a autocracia.

Os movimentos mais bruscos ocorreram durante a semana passada, por ocasião de cumprimentos de mandados de busca em apreensão, por parte da Polícia Federal e com autorização do STF, em casas e escritórios de pessoas ligadas ao presidente, suspeitas de integrar um grupo criminosos de disseminação de fake news.

Com o exército de notícias falsas afetado, o Messias sentiu o golpe e saiu em defesa dos suspeitos de crimes. No dia seguinte à ação da PF, no cercadinho, na saída do Palácio do Alvorada, em discurso para apoiadores, berrou:

“Acabou, porra! Me desculpem o desabafo. Acabou! Não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas individuais, tomando de forma quase que pessoal certas ações.”

“Repito, não teremos outro dia igual ontem. Chega! Chegamos no limite. Estou com as armas da democracia na mão.”

“Respeito o Supremo Tribunal Federal, respeito o Congresso Nacional, mas para esse respeito continuar sendo oferecido da minha parte, tem que respeitar o poder Executivo também.”

Em contra-ataque ao STF, escalou o ministro da Justiça, André Mendonça, em anomalia jurídica condenada por estudiosos, para entrar com um habeas corpus em favor do ministro da Educação, Abraham Weintraub e mais duas dezenas de investigados. A ação foi considerada política, para constranger os ministros do STF.

Bolsonaro ignora a ala moderada de seu governo, que orienta pela demissão de Weintraub, flagrada pelas Câmaras na reunião ministerial “marginal”, ocorrida em 22 de abril passado, atacando o colegiado da corte máxima do Brasil: “Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”. O presidente prefere comprar a briga, bancar o ministro “boca suja” e bater frente com o Supremo.

Neste fim de semana, em mais um programa dominical, em helicóptero público, pago por nosso dinheiro, sobrevoou a Esplanada dos Ministérios, acenou para apoiadores. Depois caminhou pela extensão de um cercado em apoio ao ato antidemocrático, e, pasmem, montou num cavalo e cavalgou acenando para seus aliados, lembrando gesto feito por Benito Mussolini, na Itália.

Também no fim de semana, o movimento de torcidas organizadas de grandes times paulistas tomou as ruas, se reuniu na Avenida Paulista em defesa da democracia e em resposta aos extremistas bolsonaristas. Houve confrontos com a PM, que revidou com spray de pimenta e bombas de efeito moral.

Ainda no fim de semana, o decano do STF, ministro Celso de Melo, escreveu um alerta a seus colegas da corte, comparando o que está ocorrendo no Brasil com a Alemanha de Adolf Hitler, guardadas as devidas proporções.

“GUARDADAS as devidas proporções, O “OVO DA SERPENTE”, à semelhança do que ocorreu na República de Weimar (1919-1933) , PARECE estar prestes a eclodir NO BRASIL ! É PRECISO RESISTIR À DESTRUIÇÃO DA ORDEM DEMOCRÁTICA, PARA EVITAR O QUE OCORREU NA REPÚBLICA DE WEIMAR QUANDO HITLER, após eleito por voto popular e posteriormente nomeado pelo Presidente Paul von Hindenburg , em 30/01/1933 , COMO CHANCELER (Primeiro Ministro) DA ALEMANHA (“REICHSKANZLER”), NÃO HESITOU EM ROMPER E EM NULIFICAR A PROGRESSISTA , DEMOCRÁTICA E INOVADORA CONSTITUIÇÃO DE WEIMAR, de 11/08/1919 , impondo ao País um sistema totalitário de poder viabilizado pela edição , em março de 1933 , da LEI (nazista) DE CONCESSÃO DE PLENOS PODERES (ou LEI HABILITANTE) que lhe permitiu legislar SEM a intervenção do Parlamento germânico!!!! “INTERVENÇÃO MILITAR”, como pretendida por bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia, NADA MAIS SIGNIFICA, na NOVILÍNGUA bolsonarista, SENÃO A INSTAURAÇÃO , no Brasil, DE UMA DESPREZÍVEL E ABJETA DITADURA MILITAR !!!!”

Celso pediu que haja resistência. E haverá.

 

Jota Alves é radialista com passagens pelas rádios Constelação FM e Rural AM de Guarabira, Tabajara de João Pessoa e jornais Folha do Brejo e Jornal da Paraíba. Atualmente é editor e articulista político do Portal 25 Horas.
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