Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña é preso após sofrer impeachment

O Senado paraguaio aprovou, nesta sexta-feira (6), o impeachment do presidente Santiago Peña, que foi preso logo após a conclusão da votação. O ex-presidente ficará em prisão domiciliar. A destituição recebeu os votos favoráveis dos 44 senadores presentes à sessão.

A decisão encerra o processo de julgamento político aberto contra Peña em meio à crise provocada pela quebra do Ueno Bank, instituição financeira que entrou em liquidação após apresentar problemas de capacidade de pagamento. O caso deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios recursos, provocou protestos no país e ampliou a pressão sobre o governo.

Peña passou a ser alvo de acusações de responsabilidade política pela crise devido à sua ligação empresarial com o grupo controlador do banco. O ex-presidente manteve participação societária na holding ligada à instituição até 2025.

Os advogados de defesa do ex-presidente devem contestar o julgamento político na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), alegando nulidades na condução do processo.

Segundo informações divulgadas pela imprensa paraguaia, o pedido de prisão foi encaminhado ao Comando da Polícia Nacional para cumprimento. A promotoria investiga suspeitas de quebra de confiança e outros possíveis crimes relacionados ao escândalo financeiro.

O Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação após identificar problemas nas operações de crédito, irregularidades na contabilização de ativos e insuficiência de capital para manter o funcionamento da instituição.

Na quinta-feira (5), Peña apresentou uma carta de renúncia à Presidência. Ele justificou a decisão como uma tentativa de preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas. O anúncio, no entanto, não interrompeu o julgamento, que prosseguiu até a votação desta sexta.

Com a condenação, Peña perde o mandato e também deixa de ter direito à condição de senador vitalício, prerrogativa que garante imunidade parlamentar a ex-presidentes paraguaios que não tenham sido condenados em julgamento político.

O vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência e concluir o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028. A data da posse ainda precisa ser definida.

Do lado de fora do Congresso, na Plaza de Armas, em Assunção, manifestantes comemoraram a decisão.

Créditos: ICL